24.5.11

O Furacão espreita.


A noite parece igual a tantas outras regadas a baseados, embaladas pelo novo som que a música folk assume. A juventude cabeça dos anos 60 se reúne para mais um concerto. Olhares, ouvidos e corações esperando versos revolucionários atiçados pela harmônica e violão.
De repente, olhares, ouvidos e corações testemunham a renovada música folk ser eletrocutada pelas guitarras do rock. Um choque não mortal, uma carga elétrica que transforma aquele som em outra criatura. Estranha. Feroz. Estridente. As raízes sonoras do quintal do Tio Sam pegam fogo.
Feito fênix, outro ser aparece das cinzas e começa a voar sobre a platéia que não compactua com aquele ritual. Urros. Vaias. Palavrões. “Traidor!” Morre ali o menestrel Bob Dylan tão idolatrado até aquela noite. Nasce para o mundo o roqueiro Bob Dylan. Acordes elétricos cospem a nova sonoridade na cara da história que ele mesmo escreveu.
Ele resgatou a velha música americana. Ele mata a velha música americana. Ele traz à luz a nova música americana. Um som planetário que impulsiona a cultura pop para um patamar nunca antes visto. Um som que muita gente não entendeu. E até hoje não entende. E ainda se pergunta: “Por que o poeta da juventude americana deixou para trás sua própria criação?” Na verdade transforma sua cria nesse furacão de energia chamado rock.
É Mr. Bob, você é um dos culpados! Esse filho bastardo de tantos sobrenomes tem a força de uma horda de deuses pagãos ensandecidos. Enfurecidos e chapados. Irreverentes. Românticos. Esta força que pode estar aí, neste momento, pulsando ao seu lado, desatento leitor. Esta massa sonora que se transforma sempre, desde aquela noite nos anos 60, que parecia uma noite comum. E vibra até esta noite. Nesta terça, 24 de maio onde seu criador faz 70 anos. Sem descanso. Alma inquieta. O Furacão não adormece. O Furacão espreita. O rock continua a pulsar. Feliz aniversário, Mr. Bob Dylan!

2 comentários:

Tibério disse...

É isso aí, MR. hurricane, grande bardo

coletivo afetos disse...

Vida longa! :)